Introduction to Philosophy
Caderno de estudos detalhado da série aberta da Rebus Community, para você chegar aos capítulos originais com o mapa já pronto.
A ideia é simples: você lê este caderno primeiro, monta o vocabulário e o mapa das áreas, e só então abre os capítulos originais, que estão linkados na última aba.
O que você vai estudar
Introduction to Philosophy não é um único livro, e sim uma série de livros abertos editados por Christina Hendricks, da University of British Columbia. Cada grande área da filosofia tem o seu próprio volume, escrito por especialistas, com glossário e questões de reflexão. Este caderno destila o essencial de cada volume.
Leia as abas na ordem. As três primeiras montam a base (o que é filosofia e como argumentar). A aba As grandes áreas é o núcleo, com um acordeão por área. A aba Conexões com Bohm separa de forma explícita o que é filosofia padrão do que é leitura ligada ao seu projeto. O Glossário serve de consulta rápida, e o Roteiro traz a ordem de leitura e os links.
Ao longo do caderno, blocos dourados trazem a posição consolidada da filosofia. Blocos azuis trazem a leitura ligada ao seu projeto (processo, não-dualidade, Bohm), sempre marcada como interpretação, e não como tese do livro.
O que é filosofia
Filosofia é a investigação racional das questões mais fundamentais sobre a realidade, o conhecimento, os valores, a mente e a linguagem, conduzida por argumentos, e não por experimento ou revelação.
O traço distintivo não é o assunto, e sim o método. O filósofo examina os pressupostos que as outras disciplinas tomam como dados: o que é uma causa, o que é uma boa razão, o que é uma mente, o que torna uma ação justa. São perguntas que nenhum experimento isolado resolve, porque elas estão antes do experimento.
Filosofia, ciência e religião
| Campo | Apela a | Pergunta típica |
|---|---|---|
| Ciência | observação e teste empírico | Como o universo se comporta? |
| Religião | fé e revelação | Qual é o sentido último, segundo a tradição? |
| Filosofia | razões e argumentos | O que justifica acreditar em algo? |
As fronteiras são porosas. A filosofia da ciência, a ética e a filosofia da religião nascem justamente nesses encontros.
O valor da dúvida
A tradição começa com Sócrates transformando a dúvida em método. Perguntar o que de fato sabemos, e por quê, é o gesto inaugural. A filosofia não promete respostas finais; ela promete perguntas mais precisas e crenças mais bem fundamentadas.
Filosofia se reconhece menos pelo tema e mais pela exigência de justificar cada afirmação com razões que o outro possa examinar e contestar.
Ferramentas do pensamento
Esta é a parte que mais vai te ajudar depois, inclusive para enfrentar Hegel: aprender a reconhecer e avaliar um argumento. Corresponde ao volume de Lógica da série.
O que é um argumento
Um argumento é um conjunto de premissas que pretendem sustentar uma conclusão. Avaliá-lo é responder a duas perguntas separadas: as premissas se ligam bem à conclusão, e as premissas são verdadeiras.
- Validade: se as premissas fossem verdadeiras, a conclusão teria de ser verdadeira. É uma questão de forma.
- Solidez: o argumento é válido e, além disso, as premissas são de fato verdadeiras.
Dedução e indução
| Aspecto | Dedução | Indução |
|---|---|---|
| Vai de | geral para particular | particular para geral |
| Conclusão | necessária, se válida | provável, nunca garantida |
| Exemplo | Todo homem é mortal; Sócrates é homem; logo, é mortal. | O sol nasceu todos os dias; logo, deve nascer amanhã. |
Falácias comuns
| Falácia | O que é |
|---|---|
| Ad hominem | atacar a pessoa em vez do argumento |
| Espantalho | distorcer a posição do outro para refutá-la mais fácil |
| Falso dilema | apresentar duas opções como se fossem as únicas |
| Petição de princípio | usar a conclusão como premissa, em círculo |
| Apelo à autoridade | tratar a opinião de alguém como prova, fora de sua competência |
| Equívoco | trocar o sentido de uma palavra no meio do raciocínio |
Primeiro localize a tese central. Depois reconstrua o argumento em premissas e conclusão. Em seguida procure a premissa mais frágil e imagine a melhor objeção. Por fim, veja como o autor responderia. Ler filosofia é refazer o raciocínio, não decorar conclusões.
As grandes áreas
O núcleo do caderno. Cada área tem a sua pergunta central, as posições em disputa, os termos-chave e os capítulos do volume correspondente. Clique para abrir.
Posições principais: realismo e nominalismo sobre os universais; monismo, dualismo e pluralismo sobre quantos tipos de coisa há; livre-arbítrio contra determinismo.
Termos: substância, universal, particular, monismo, dualismo.
No volume de Metafísica: universais; finitismo, infinitismo, monismo, dualismo e pluralismo; a possibilidade da ação livre; metafísica experimental.
Posições principais: conhecimento como crença verdadeira justificada, e o problema de Gettier que abala essa definição; racionalismo contra empirismo, com a síntese de Kant; o ceticismo sobre o mundo externo.
Termos: justificação, crença, ceticismo, a priori e a posteriori.
No volume de Epistemologia: a análise do conhecimento; a justificação epistêmica; fontes do conhecimento (racionalismo, empirismo e a síntese kantiana); ceticismo; valor epistêmico; epistemologia social; epistemologias feministas.
Posições principais: o utilitarismo julga pela consequência; a deontologia de Kant julga pelo dever e pela máxima; a ética das virtudes julga pelo caráter; e há ainda o relativismo, o contratualismo e a ética feminista.
Termos: dever, virtude, consequência, máxima, imperativo.
No volume de Ética: relativismo ético; mandamento divino e lei natural; egoísmo e contrato social; ética das virtudes; utilitarismo; deontologia kantiana; ética feminista; ética evolucionária.
Posições principais: o dualismo de substância de Descartes; o materialismo e o behaviorismo; o funcionalismo; e o problema dos qualia, a dificuldade de explicar a experiência subjetiva.
Termos: dualismo, materialismo, funcionalismo, qualia, problema difícil.
No volume de Filosofia da Mente: Descartes e o dualismo de substância; behaviorismo e materialismo; funcionalismo; qualia; liberdade da vontade. É a área que mais conversa com o seu projeto.
Já tratada na aba Ferramentas. No volume de Lógica: o que é lógica; avaliação de argumentos; lógica formal; falácias informais; condições necessárias e suficientes.
Posições e temas: a estética antiga; a beleza na arte e na natureza; a natureza da arte; arte e emoção; arte e moral.
Termos: belo, sublime, mimese, juízo de gosto.
Temas: os argumentos cosmológico, teleológico e ontológico a favor da existência de Deus; o problema do mal contra ela; fé e razão.
Resumo em uma tabela
| Área | Pergunta central |
|---|---|
| Metafísica | o que existe? |
| Epistemologia | o que podemos saber? |
| Ética | como devemos agir? |
| Lógica | o que é um bom raciocínio? |
| Filosofia da mente | o que é a mente? |
| Estética | o que é o belo e a arte? |
| Filosofia da religião | é racional crer em Deus? |
Esta série é, na maior parte, de tradição ocidental e analítica. Para a Índia (Vedanta, budismo), a China (taoismo, confucionismo) e o mundo islâmico, ela é insuficiente. Complemente com os verbetes da Stanford Encyclopedia e com a série do podcast History of Philosophy Without Any Gaps, que dedica blocos inteiros a essas tradições, justamente as que mais ressoam com o seu projeto.
Conexões com Bohm
Onde a filosofia padrão deste livro toca o seu projeto. A regra aqui é estrita: blocos dourados são a posição consolidada da filosofia, blocos azuis são leitura ligada a Bohm, sempre como interpretação a investigar, não como tese do livro.
Metafísica e monismo
O monismo é a tese de que há uma só substância ou um só tipo fundamental de realidade. Aparece em Espinosa e é uma das opções discutidas no volume de Metafísica, ao lado do dualismo e do pluralismo.
A ordem implicada de Bohm pode ser lida como um monismo de processo, em que as partes são dobras de um todo indiviso. Isso é uma ponte que você constrói entre a metafísica clássica e a física de Bohm, e não uma posição defendida no volume.
Filosofia da mente e consciência
O problema difícil pergunta por que existe experiência subjetiva. O volume apresenta as respostas padrão: dualismo, materialismo, funcionalismo, e a discussão sobre qualia.
A hipótese de que a consciência pertenceria aos níveis sutis da ordem implicada é especulativa e externa a este livro. Trate-a como conjectura interessante, separada das posições que o volume realmente defende.
Sempre que o azul aparecer, lembre que ele é seu, não do autor. Misturar os dois enfraquece tanto a filosofia quanto a leitura bohmiana. Mantê-los separados é o que torna a ponte defensável.
Glossário
Os termos que mais reaparecem na série, em definições curtas para consulta rápida.
Roteiro de leitura
A ordem que eu sugiro para ler a série, e os links de cada volume, todos em acesso aberto.
Em cada volume, comece pelo capítulo de introdução, leia com o glossário do livro aberto e use as questões de reflexão para saber onde focar.
Onde baixar
Catálogo central com todos os volumes da série, em PDF, EPUB e web.
open.umn.edu/opentextbooks/subjects/philosophyGuia gratuito de apoio, e a melhor fonte para as tradições não-ocidentais que faltam na série.
plato.stanford.edu